
Quando se aproxima o Natal, a procura por damascos, pêssegos e ameixas cresce exponencialmente. Mas, ainda sem ameaçar o reinado destas, três pequenas frutas originárias da Ásia também possuem espaço entre as preferências de fim de ano: trata-se da lichia, da amora e da cereja. Elas não reinam nas mesas domésticas, mas em restaurantes surgem como sugestões que unem sofisticação e sustentabilidade – já que o consumo de produtos da safra, caso das três, apresenta uma série de vantagens econômicas e naturais.
O chef do restaurante Saatore, Wanderson Costa, é um destes que não perde um produto da estação. Ele faz questão de procurar pessoalmente o que irá valorizar os preparos do estabelecimento e, por isso, só na última semana, esteve três vezes no Ceasa-MG para estudar possíveis ingredientes. Foi daí que surgiu a ideia para o galeto com amoras. “Não é um prato do cardápio fixo até porque, nas outras épocas do ano, é difícil encontrar a fruta. No entanto, como vi que estava na safra, testei a receita e resolvi incluir no menu”, explica. Expert no assunto, ele também ensina o que é necessário observar para levar um produto de qualidade. “A textura é o mais importante. Ela não pode começar a melar, nem a murchar”, diz.
O chef da Speciali, André de Melo, também faz questão de defender o uso de insumos da safra. “A grande vantagem é que você consegue ele mais fresco e natural, sem uso de estufas, agrotóxicos. No fundo, nada mais é do que respeitar a natureza e suas condições. Muita gente acha positivo conseguirmos encontrar determinados produtos o ano todo, mas eu, como cozinheiro, não acho, porque vejo uma manipulação que acaba por padronizar as nuances de sabor”, afirma.
A convite do Gastrô, André criou um prato com cerejas, que, ensina, precisa ser comprada bem brilhante e vermelha. “Como é época de calor, fiz algo refrescante, com uma sopinha de amêndoas e lagostim”, destaca.